Resumo: Para Além da Liberdade e Dignidade – B.F. Skinner

Introdução do Resumo

Esse resumo em português do livro Para Além da Liberdade e Dignidade de B.F. Skinner é baseado em 3 fontes: o conhecimento do autor em Análise do Comportamento, assim como a leitura da obra, e por fim na versão em inglês do resumo.

Resumo Completo do Livro Beyond Freedom and Dignity de Skinner

De modo geral foi utilizado o resumo em inglês como estrutura central desse resumo em português, sendo o texto adaptado corrigindo mal-entendidos e eventuais erros teórico-conceituais.

Contudo, esse artigo não é imune de erros. Se você encontrou algum entre em contato ou comente abaixo para tornar esse resumo cada vez melhor 🙂

Sobre o Livro de Skinner

O Renomado psicólogo americano B.F. Skinner publicou em 1971 o livro Para Além da Liberdade e Dignidade (Beyond Freedom and Dignity). O livro advoga a favor de uma sociedade que se organiza e resolve seus problemas especialmente por meio da implementação dos conhecimentos oriundos da análise experimental do comportamento humano. Foi extremamente criticado por outros intelectuais proeminentes de sua época, incluindo Noam Chomsky, pela sua “desvalorização das realizações humanas”, e Richard Sennet por sua “utilização exacerbada” de “teorias não provadas” e pelo que o autor acreditava ser uma tentativa de reinstituir um estado Vitoriano do século 18, com valores conservadores. As críticas iniciaram um debate público e a obra se tornou um dos raros livros a se tornar um New York Times Bestseller por quase 5 meses.

Como temática principal tem: a negação da noção comum de livre arbítrio e a urgente relevância das ciências sociais comportamentais e a possibilidade de uma utopia.

O Behaviorismo Radical é a base filosófica do livro

Behaviorismo Radical postula que o objeto de estudo da Psicologia é o Comportamento Humano

De acordo com o Behaviorismo Radical, os seres humanos são controlados pela sua história filogenética e pelas relações que estabelece com o ambiente e coloca como objeto de estudo da Psicologia o Comportamento: sendo a relação do indivíduo com o meio, estando sob controle desses 3 fatores. Portanto, se a sociedade almeja o desenvolvimento de hábitos coletivos e mudanças no comportamento de todos para resolver problemas como o aquecimento global, poluição, etc; esse desenvolvimento se encontrará na alteração do ambiente dos cidadãos. A sociedade pode mudar comportamento humano através da aplicação de ciências comportamentais.

É imprudente agir baseado em emoções

Skinner sustenta que é imprudente agir baseado em emoções, ainda que escreva que emoções e sentimentos sejam os melhores subprodutos da vida. No nível individual pessoas fazem decisões precipitadas, e essas decisões se tornam ainda menos lógicas na medida em que isso passa para um nível coletivo. Quando sujeitos e sociedades tomam decisões que afetem a vida individual e coletiva baseada em suas emoções que derivam das diferentes relações com o ambiente raramente o resultado é positivo.

Para resolver os problemas sociais é preciso uma Tecnologia do Comportamento

Para resolver os problemas que surgem dessas decisões ora baseadas em emoções, ora baseadas em Psicologias que não se fundam em métodos experimentais e explicam comportamentos de forma circular, é necessária uma Tecnologia Comportamental que é sistemática, experimental e que coloca nas relações com o ambiente a explicação última das ações do ser humano.

Felizmente, com a pesquisa científica moderna, a sociedade pode ser estruturada de modo a promover comportamentos humanos mais “sábios”. Sem intervenções intrusivas, planejadas corretamente de modo que o indivíduo deliberadamente optaria pela ação correta ao invés da incorreta. Skinner aponta que esse poder que o behaviorismo dá de mudar a sociedade pode ser utilizado com propósitos positivos ou nefastos. Alguns outros autores o criticam por entenderem que ele não elaborou como esse poder poderia abusado por indivíduos mal intencionados.

A Definição de Liberdade e a Dignidade

Liberdade é a remoção de relações de controle aversivo

Para Skinner, Liberdade é a remoção de relações de controle aversivo, como aquelas baseadas na dor física ou sofrimento de ordem psicológica. A ideia de liberdade, para ele, não deveria se basear em teorias mentalistas ou emocionais. Liberdade não se trata de ter um “estado mental” de felicidade, é sobre ter relações saudáveis com o ambiente.

Quando agimos de modo interpretado como livre é justamente quando estamos sob controle de relações de reforçamento positivo com o ambiente. E a história e literatura do que Skinner chama de Luta pela Liberdade (Fight for Freedom) é sumariamente um esforço em remover relações de controle aversivo com o meio, principalmente quando parte de outros indivíduos, como na Luta de Classes Marxista.

Contudo, não podemos inferir no erro de assumir que qualquer relação de controle positivo promove liberdade, isto é, algumas relações de controle baseadas no reforçamento positivo podem servir para manter padrões comportamentais que privilegiam uns em detrimento de outros. Assim, ainda existe uma relação de controle aversivo, ainda que postergada.

Skinner alerta para o fato de que muitas vezes o controle positivo pode ser muito mais cruel que o aversivo por impossibilitar num primeiro momento relações combativas, como o contracontrole, tanto por não promover essas atitudes como efeito colateral tanto quanto por não reforçar respostas verbais de descrição de contingências que evidencie esse controle e resultado aversivo desigual postergado. Dessa forma, também faz parte da Luta pela Liberdade evidenciar e denunciar esse tipo de relação.

Dignidade é a situação na qual os indivíduos são avaliados pelas suas ações

Dignidade é definida como a situação na qual indivíduos são louvados (e criticados) por suas ações. Esse estado é também conhecido como autonomia moral. Como Skinner não vê o livre arbítrio como um fenômeno real, ele rejeita a ideia de dignidade como um conceito pré-científico, rejeitando a concepção de um “homem autônomo”. Segundo Skinner, as pessoas não são largamente responsáveis por suas ações, então louvá-las ou criticá-las por suas ações não é de todo necessário. É necessário olhar para o ambiente delas quando da interpretação de suas atitudes.

Punição é ineficaz no controle do comportamento humano

Punição é o último mas não menos importante fenômeno social que Skinner veementemente critica. Como as pessoas não são responsáveis por suas ações, punição não é uma forma lógica de utilização da força, além de não ser efetiva na mudança comportamental. Décadas de pesquisa comportamental comprovam seu argumento. Infelizmente, por conta disso, tentativas de mudança comportamental sustentadas no uso da punição, até aquelas com propósitos positivos, falham. Como algumas psicoterapias, palestras motivacionais entre outras.

Conceitos como dignidade, punição e liberdade se originaram todos, segundo Skinner, de uma sociedade moderna que não foi fundada em concepções científicas acerca do comportamento humano. Antes de o método científico estar bem estabelecido, fazia sentido a cultura se organizar em torno de conquistas individuais e grupais. Porém, atualmente, um sistema de valorização predicado em realizações individuais é falho. No capítulo entitulado “valores”, Skinner argumenta que uma sociedade moderna deve abandonar conceitos como dignidade, punição e liberdade se pretende desenvolver um ambiente cultural mais efetivo em mudar comportamento de modo a solucionar problemas de ordem coletiva.

Skinner defende uma Sociedade guiada pelos princípios científicos

No último capítulo, “O que é o Homem” (What is Man), Skinner postula que sua “Engenharia Social” é moralmente neutra. Usada apropriadamente, levará a uma sociedade mais justa e produtiva. Respondendo a críticas de seus trabalhos anteriores, como Behavior of Organisms de 1938 e Science and Human Behavior de 1953, Skinner insiste que sua visão de mundo não cria ser humanos miseráveis. A humanidade seria extremamente beneficiada por saber manipular mais habilmente seus próprios impulsos. Por este método problemas sociais como a criminalidade seriam reduzidos já que os indivíduos seriam levados a seguir por cursos de ação mais altruístas, assim como a sociedade seria melhor governada pelos princípios iluminados da ciência.

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